O louco da Cidade

Na cidade havia um louco. Eu nunca o vi, mas sei que nos momentos de loucuras ele escapava de seu cárcere residencial e corria pelas ruas.

Eu tinha mais ou menos quatro anos de idade, quando esta história aconteceu. Ao anoitecer a partir das 21 horas ele começava a gritar, “socorro meu deus! me ajuda! jesus me ajuda!”.

A cidadela já estava acostumada com aquele auê, que durava toda noite e entrava madrugada a dentro e só terminava pela manhã, quando o pobre homem não agentava mais, dormia exausto.

perdãoDe um certo tempo em diante, aquela gritaria terrível, mudou os rumos quando seus pedidos passaram a ser endereçado para alguém diferente de Deus e Jesus: – “Socorro Jario, me ajuda jario. jario pelo amor de Deus me ajuda. Jario tem piedade de mim”.

Imagine você, numa cidade católica alguém clamando desta maneira por alguém diferente de Jesus, o filho de Maria. A cidade se incomodou, mas compreendia também que se tratava de um louco e não poderia esperar nada senão insanidade.

Contudo, uma pessoa, não gostou daquilo – a minha mãe. A coisa durou meses a fio e minha mãe já não suportando mais resolveu tirar a história a limpo me indagando: – Jario meu filho, porque este homem chama seu nome, como se você fosse um santo.

Eu respondi para ela: – Não sei do que a senhora está falando.

Ela então explicou tudo, no que respondi que estava dormindo neste horário e não poderia responder nada. Que não conhecia o tal louco, porque ela não permitia o contato com estranhos.

Então fizemos um acordo, na próxima vez, ela me acordaria à noite, para eu ouvir aquela fantástica história.

Na lua cheia seguinte, a gritaria iniciou como sempre. E ela no dia seguinte me perguntou – e agora o que me diz? Eu lhe respondi, nada, o combinado era que a senhora me acordasse.

Então, na noite seguinte ela me acordou por volta das 22 horas. Eu ouviu a gritaria insuportavel, mas não entendia o que ele gritava, o sono e o peso do meu corpo impediam.

Então, eu dormi e concentrei no louco, quando a alma dele vei falar comigo: – você não vê que estou sofrendo muito, eu peço socorro e você não responde, que espécie de filho de Deus é você que não atende uma alma flagelada?

Eu então devolvi a alma do homem para o corpo e fui falar com o Mestre do destino dos brasileiros.

Ele então me explicou tudo sobre o sofrimento daquela alma, inclusive acrescentou dizendo ainda que aquele homem estava pagando o karma por ter torturando os santos de Jesus e a mim mesmo noutras vidas, mostrando para mim todas as cenas.

Em espírito fui até o homem e perguntei o que ele queria de mim. Ele em espírito me respondeu que queria o perdão e me pediu a cura, para voltar ser um homem normal. Se arrependeu de verdade e se converteu ao bem.

Eu lhe respondi que Deus não lhe concedia a cura pois ele havia pecado contra o Espírito Santo, mas por ter chamado por meu nome, ele poderia escolher entre viver louco alguns anos até cumprir o tempo, mas sem o tormento dos demônios, ou ele poderia libertar sua alma daquele corpo inferior.

Ele então optou pela liberdade da alma.

O homem então faleceu.

O louco da Cidade
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