Enquanto a morte não vem
Viver a vida carregando um boneco mal feito para cima e para baixo, como um fantasma arrasta correntes num casarão assombrado.
Sentir a dor profunda sem origem e sem causa… enquanto força um sorriso para os palhaços em piadas vãs.
Olhar para o presente e medir o tamanho do sucesso no fracasso dos alunos e mestres, que no vai e vem das marés siderais, põem-se uns sobre os outros, depois põem-se outros sobre uns, num vai-e-vem constante e infinito.
Compadecer-se com a ignorância no mundo da crença popular de santos fabricados, ou mesmo, aquela cruz que condena a Luz a viver nas trevas.
Anjo Luz, mais forte e sábio de todos, meu mestre e amigo, obrigado por me salvar da escuridão… enquanto a morte não vem, afogo-me nestas densas e turvas brumas da América Latina.




